RustDesk: alternativa grátis e open source pra acesso remoto

RustDesk é a alternativa open source ao TeamViewer e AnyDesk: acesso remoto grátis, multiplataforma e self-hosted, com o servidor na sua VPS. Veja como montar.

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Quem já deu suporte remoto conhece a cena: você ajuda sua mãe três vezes pelo TeamViewer e aparece o popup de "uso comercial detectado": dali em diante, ou paga um plano ou fica sem acesso. O AnyDesk segue o mesmo padrão. O modelo deles funciona, mas é caro, e a conta cresce rápido com equipe e clientes.

No vídeo acima, o Lucas conta onde encontrou a saída: num dos maiores hospitais do Brasil, uma operação que fatura bilhões, os computadores rodavam um acesso remoto gratuito e de código aberto: o mesmo software que ele usa todo dia no suporte a clientes da fazer.ai. É o RustDesk. Aqui vai o que ele é, por que o desenho open source muda a conta e como montar o seu.

O problema com TeamViewer e AnyDesk

São softwares excelentes (o vídeo faz questão de reconhecer). O problema é estrutural: o plano gratuito é só pra uso pessoal, e é o algoritmo deles que decide o que é "pessoal". Bastam algumas conexões repetidas pro bloqueio chegar.

Em 2020, quando o mundo passou a trabalhar de casa da noite pro dia, a fatura dos planos empresariais ficou salgada demais. Foi uma fatura dessas que fez o fundador do RustDesk abrir o editor de código e, em 2021, publicar a primeira versão no GitHub. O projeto não nasceu de marketing nem de business plan: nasceu de alguém que pagou caro demais e decidiu que ninguém precisava passar por aquilo.

O que é o RustDesk

O RustDesk é um software de acesso remoto gratuito e open source (licença AGPL-3.0), com cliente nativo pra Windows, macOS, Linux, Android e iOS (e até versão web). A diferença central: o servidor que coordena as conexões foi feito pra rodar na sua infraestrutura.

O nome vem da linguagem: é escrito em Rust. A tração que o Lucas mostra no vídeo responde o clássico "será que projeto open source aguenta?": mais de 30 milhões de downloads, 110 mil estrelas no GitHub, 10 milhões de dispositivos ativos e uma comunidade global de 50 mil pessoas. Tudo em cinco anos.

Self-host é o padrão, não o premium

TeamViewer e AnyDesk até oferecem self-host, mas só em plano corporativo, com preço à altura. No RustDesk é o contrário por design: mesma capacidade técnica, proposta diferente.

Na prática, você instala o cliente nas suas máquinas e nas dos seus clientes, e todas apontam pro seu servidor. Sem mensalidade, sem licença por usuário, sem popup julgando seu uso, e sem dado seu passando por servidor de terceiro. Seus dados, seu custo, sua máquina: no seu controle. É a mesma lógica de rodar a própria IA no seu servidor: o serviço é seu e roda onde você escolher, sem ficar preso a um fornecedor único que pode bloquear ou encarecer.

Como o RustDesk funciona: hbbs, hbbr e a festa de aniversário

A analogia do vídeo dispensa jargão. O servidor é o aniversariante de uma festa; a festa é a internet: cheia de gente, barulhenta, ninguém se conhece, mas o aniversariante conhece todo mundo. A máquina A pede pra falar com a B, ele apresenta as duas, e a partir daí elas conversam direto, sem intermediário e sem ninguém escutando. Quando a festa está lotada e a conversa direta não rola (na rede: CGNAT, NAT simétrico), o aniversariante fica no meio traduzindo em tempo real. Esse é o relay.

Por baixo dos panos, é um Docker Compose com dois serviços: o hbbs, que orquestra o hole punching (portas 21115 e 21116), e o hbbr, o relay TCP (porta 21117). O Lucas, Engenheiro de Eletrônica e de Telecomunicações, avalia no vídeo que a arquitetura é muito boa pra esse tipo de serviço. Instala uma vez, configura uma vez, esquece.

Como montar seu servidor RustDesk numa VPS

São três etapas. Tela por tela, tá no vídeo acima. Aqui vai o mapa.

1. Suba uma VPS com o servidor pronto

No vídeo, o Lucas usa a VPS da Hostinger, que já vem com o servidor RustDesk pré-instalado, a mesma infra onde ele roda Coolify, n8n e o Chatwoot fazer.ai. O plano é o KVM1, o mais simples: em torno de R$ 30 por mês na época da gravação, com 10% de desconto no cupom FAZERAI. Criou a conta, definiu a senha, a máquina sobe configurada.

2. Copie a chave pública do servidor

No painel da VPS, clique no botão de terminal e cole o comando que o time da fazer.ai preparou (está no artigo da comunidade). Nunca abriu um terminal? É colar e dar Enter. Volta a chave pública do seu servidor: a senha de login que cada cliente vai usar.

3. Aponte cada cliente pro seu servidor

Em cada máquina que vai acessar ou ser acessada:

  1. Baixe o cliente em rustdesk.com/download e instale.
  2. Abra as configurações, vá em Rede e desbloqueie a edição.
  3. Em "Servidor ID/Relay", preencha o IP da sua VPS (ou seu domínio) e cole a chave.
  4. Dê OK. Pronto.

Feito isso, as máquinas passam a se encontrar pelo seu servidor. Nada mais transita por servidor de terceiro. Quem quiser pular a parte manual: tem uma skill do Claude Code na comunidade que faz essa configuração sozinha.

O que dá pra fazer conectado

Os testes ao vivo do vídeo dão a régua: do Mac, o Lucas controla uma máquina Linux a uns 1.000 km com delay na faixa de 7 a 10 ms, operando no 4G logo na abertura. Do iPhone, controla a mesma máquina, com o Mac conectado ao mesmo tempo.

Do que aparece em tela:

  • ajuste de codec e qualidade de imagem (dá pra priorizar tempo de resposta em conexão fraca);
  • monitor de conexão com delay em tempo real;
  • mapa de teclado entre sistemas diferentes (Mac controlando Linux, por exemplo);
  • transferência de arquivos sem abrir a área de trabalho;
  • chat de texto com quem está do outro lado e gravação de sessão, úteis em suporte;
  • terminal remoto, tunelamento TCP e visualização da câmera da máquina remota;
  • inicialização junto ao sistema: a máquina reinicia e o acesso continua;
  • opção de forçar a conexão sempre via relay, pelo seu servidor.

É o que TeamViewer e AnyDesk entregam, rodando no seu servidor.

Prós e limitações que o vídeo aponta

Prós: zero mensalidade, zero licença por usuário, cliente em todas as plataformas, multi-sessão simultânea, transferência de arquivos e terminal remoto, com seus dados na sua infraestrutura.

As limitações que o próprio vídeo assume:

  • Você precisa de um servidor. O custo não some: vira a VPS, menor e previsível (por volta de R$ 30 mensais no plano do vídeo).
  • A configuração é por máquina: instalar o cliente e apontar IP + chave em cada uma (a skill da comunidade automatiza).
  • Nem toda conexão sai direta: com CGNAT ou NAT simétrico, o tráfego passa pelo relay do seu servidor em vez de ir ponta a ponta.

E o vídeo não é patrocinado pelo RustDesk. O Lucas nem conhece ninguém de lá. Usa, gosta e indica.

Perguntas frequentes

O RustDesk é grátis mesmo?

É. Open source sob licença AGPL-3.0, cliente e servidor, sem custo de licença. Você paga só a própria infraestrutura: a VPS onde o servidor roda.

Preciso saber programar pra montar o meu?

Não. No fluxo do vídeo, a parte técnica é colar um comando no terminal do painel da VPS e copiar a chave devolvida. O resto é preencher dois campos no cliente.

Funciona entre sistemas operacionais diferentes?

Funciona: cliente nativo pra Windows, macOS, Linux, Android e iOS, além da versão web. No vídeo tem Mac controlando Linux e iPhone controlando desktop.

Pra ir além

O passo a passo completo, com os testes ao vivo, tá no vídeo acima, e o canal do Lucas Moreira segue nessa linha de montar e controlar a própria infraestrutura. Se a VPS vai virar peça central da operação, proteja o que roda nela: backup 3-2-1 no Coolify com Cloudflare R2.

Se você quer fazer com acompanhamento (tirar dúvida, pegar arquivo pronto, ver bastidor), a comunidade tá em lucasmoreira.ai. O artigo completo do RustDesk e a skill que automatiza a configuração do servidor moram lá.

Fontes

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